quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ANÁLISE CRÍTICA Do FILME: O NOME DA ROSA

O filme começa com William de Baskerville (Sean Connery),chegando a um mosteiro no norte da Itália acompanhado de Adso, um adolescente . Aparentemente a vida no mosteiro parece pacata, preguessa, religiosa. William, um franciscano, percebe alguns assassinatos acontecendo no mosteiro. Começa a investigar o caso. Os religiosos acreditam que o que está acontecendo é obra do Demônio. William não concorda com isso. Suas investigações são interrompidas com achegada de Bernardo Gui, o Grão-Inquisidor, que ao chegar no mosteiro pretende torturar qualquer suspeito de heresia.Os dois tem opiniões contrárias. A pretensão de William era participar de um conclave para decidir se a Igreja deveria doar parte de suas terras, mas agora sua principal ocupação é a investigação.
O filme relata um momento da sociedade medieval do século XIV.Outras cenas mostram como era a vida em mosteiros. William não é apenas um monge, é um monge curioso que busca a verdade a todo custo. Um homem da ciência, já foi inquisidor. Agora é um investigador, um filósofo. Suas investigações provocam reflexão, buscam respostas, requer explicações, num tempo em que questionar era um insulto e duvidar uma afronta a autoridade religiosa. Somente William poderia tal ousadia, pois fosse um qualquer, já seria considerado um herege, seria condenado a pena de morte e morreria na fogueira. Bem que certa vez, ele mesmo só escapou disso porque se retratou.
Podemos ver claramente as diferenças sociais. Do alto da torre do mosteiro, são jogados restos de alimentos. A fartura de alimento no mosteiro e a miséria fora dos muros dele. Como acontece atualmente, a mesma diferença entre os habitantes das metrópoles e de suas periferias; entre a abundância nas mesas dos milionários e a carência na cozinha dos favelados. Gente abastada pisando alimentos e miseráveis catando migalhas. O fim é o mesmo: Pobres e miseráveis vivendo do lixo.
Mesmo com mais do que o suficiente pra viver enclausurado, a vida dos monges era mesmo cheia de conflitos pessoais e ideológicos. Faltava a convicção. Havia muita crise de consciência, autoflagelação, perseguição e represália. Tempo em que não havia liberdade de expressão e nem religiosa. Os submissos só poderiam fazer o que fosse permitido pelos seus superiores. Representantes de Deus matando em nome Dele. Tudo isso pra encobrir a verdade, que jamais pode ser ocultada.
O filme retrata um tempo em que pensar contrário aos ideais estabelecidos era como um crime contra a autoridade. A punição era severa e se não fosse pública, seria oculta. Contrariar os dogmas jamais seria admitido. Um tempo difícil. De ignorância, intolerância e absolutismo religioso. Informação era tão precioso quanto ouro, ou mais que isso, já que ouro poderia ser exposto, e a informação, somente na biblioteca, e esta, era como arquivo secreto e o conhecimento era segredo de estado. Pena de morte para os espiões. Veneno letal era lambuzado nas páginas de livros de filosofia como por exemplo, de Aristóteles, considerado sigiloso, e aqueles que o folheasse estavam sentenciados a morte quando salivassem os dedos e os tocassem nas páginas proibidas.
As investigações de William o levam a descobrir as verdades por trás dos acontecimentos obscuros naquele lugar tão reservado. Mas suas descobertas ultrapassam os muros do recinto e a população que era massacrada ao tomar conhecimento dos fatos, reage de forma inusitada revoltando-se contra os monges inquisidores. Além do prejuízo das vidas humanas naquele mosteiro, ainda teve o prejuízo cultural, pois a biblioteca fora incendiada.
CONCLUSÃO

O filme, nos leva a refletir sobre o caráter humano, a necessidade de busca da reflexão, da verdade e da questões referentes ao fanatismo e da fidelidade a Deus.
Atualmente a liberdade religiosa e o pensamento pós moderno possibilitam a liberdade de pensamento e de expressão. Cabe ao ser humano questionar e buscar essas verdades.

O curioso a respeito do título O Nome da Rosa, para quem não leu a obra literária, fica difícil de interpretar apenas vendo o filme. Pelo que se pode perceber, que era o livro de Aristóteles, proibido de leitura no mosteiro. Para não ficar na dúvida uma consulta na internet nos esclarece melhor, no site http://criticanarede.com/lds_nomedarosa.html.
“Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus",a tradução é: "A rosa antiga permanece no nome, nada temos além do nome". Talvez esteja querendo dizer que as coisas que não existem mais deixam um nome, aludindo que talvez o livro de Aristóteles nunca tenha existido.”

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